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Novos speakeasies portugueses conquistam crítica e público

Europa Mundo afora

⍟ Red Frog, em Lisboa, e The Royal Street Club, no Porto, investem no conceito dos “bares escondidos” com projetos de coquetelaria arrojados.

Por mares d’antes navegados, uma tradição surgida nas Américas está causando sensação na Península Ibérica. Cultuados do lado de cá do Atlântico há um bom tempo, os speakeasies ganharam novo fôlego em Portugal.

Fachada Red Frog - speakeasies
A fachada do Red Frog, em Lisboa

A tendência se deve basicamente a duas casas inauguradas há pouco tempo, que já repercutem internacionalmente: o Red Frog, em Lisboa, acaba de ser eleito o melhor bar do país, segundo o Lisbon Bar Show; e o The Royal Cocktail Club, na cidade do Porto, já acostumado a colecionar elogios da crítica especializada e prêmios conquistados por seus bartenders.

O Red Frog traz a excentricidade já em seu nome. Alude a um anfíbio tropical raro, de hábitos noturnos, cujo veneno é usado pelos índios locais em suas flechas.  Não à toa, sapos  vermelhos se misturam ao ambiente, que combina rituais e peculiaridades. O acesso, aliás, é  liberado por meio de um botão “guardado” pela figura do animal. O aviso na fachada é discreto, mas vai direto ao ponto: “pressione para coquetéis”.

Um copo de água aromatizada é oferecido como boas-vindas, para que o cliente possa apurar seu paladar e apreciar aos 17 opções da carta de coquetéis, atualizada semestralmente.

O conceito foi desenvolvido por Marian Beke, do londrino Nightjar. Já o preparo e as receitas levam as assinaturas dos barmen Paulo Gomes e Emanuel Miñez. Todas as bases são produzidas ali mesmo, artesanalmente.

Teracotta drink
A engenhosa apresentação do Terracotta, destaque da carta.

Entre os destaques, o Midnight Smugglers (gin, suco de limão, clara de ovo e ginger beer); e o Terracotta (Havana Club Selección de Maestros, Jameson Black Barrelbitter italiano, alcachofra, folhas de tabaco cubano, alho negro, sementes de cássia e limão).

“Fazemos todos os clássicos possíveis e reinterpretações”,
costuma resumir Paulo Gomes, que também é sócio do empreendimento. Miñez não é menos taxativo. Quando o Red Frog abriu as portas, ele lançou publicamente uma promessa: “Se daqui a três anos não estivermos na lista dos 50 melhores bares do mundo, arrumo minhas coisas e sigo para outra”, avisou.

Tamanha confiança se construiu a partir da perspectiva de criar uma experiência digna dos tempos da Lei Seca norte-americana. Arrojado, o projeto dispõe de paredes falsas, decoração inspirada nos anos 1930 e uma sala secreta extra, aberta vez ou outra, conforme a frequência do balcão principal. Além disso, o bar mantém a tradição de funcionar a portas fechadas, hábito já cultivado quando o endereço era ocupado por um Strip Club. 

Vale dizer ainda que o Red Frog vangloria-se de não contar com um sinal dos mais adequados para a telefonia.

Segundo seus sócios, isso “impede os clientes de estarem com os olhos fixos no smartphone, atualizando suas redes a cada meio minuto. E permite que eles se socializem melhor com os demais frequentadores”.

As recomendações inusitadas não param por aí. Há instruções para que fotos sejam tiradas sem flash e os celulares, mantidos em modo silencioso. Para os mais eufóricos, outro aviso: “pedimos aos gentlemen que não se apresentem ou aborreçam uma senhora, a não ser que esta esteja interessada”.

Red Frog
Rua do Salitre nº 5A – 1250-196 | Lisboa

BANCO IMOBILIÁRIO

Inaugurado em abril deste ano, o The Royal Cocktail Club também cultua a tradição norte-americana dos bares escondidos. Um de seus ambientes é um speakeasy no piso inferior,  cujo acesso só se dá por meio de reservas e convites restritos. Ao contrário do imponente salão principal, que ocupa o térreo do prédio do Sindicato dos Bancários do Norte, o espaço do subsolo tem lotação menor e sugere uma experiência mais intimista.

A proposta é que seus frequentadores apreciem não só o sabor dos coquetéis, mas a arte de sua concepção. Por isso, todas as mesas, cadeirões e sofás estão voltadas para o balcão, onde os barmen comandam as ações. Entre eles está  Carlos Santiago, um dos profissionais mais premiados da coquetelaria portuguesa, eleito Barman do Ano em 2015 e 2017.

Carta Royal Cocktail Club
A sorte está lançada: a carta do Royal Cocktail Club

Sua carta conta com coquetéis autorais e clássicos revisitados, que primam pela apresentação e originalidade. O Royal Moscow Mule, por exemplo, combina Absolut Elyx, lima, ginger beer e espuma de pistache. Já o Black Cask propõe um brinde à base de Jameson Black Barrel, limão, cerveja preta, clara de ovo e bitter de chocolate.

O pedido do cliente, aliás, é um capítulo à parte. Nem de longe lembra o método tradicional de serviço.

Numa alusão ao prédio que abriga o empreendimento, ao invés de uma carta de coquetéis, o cliente vê-se diante de uma caixa de madeira com um tabuleiro inspirado no clássico jogo Monopoly (no Brasil, algo próximo do jogo Banco Imobiliário) e é convidado a lançar os dados. O resultado aponta a bebida a ser consumida, com a garantia dos sócios de que “o cliente nunca perde o jogo”.

O grupo, aliás, já comanda desde 2012 o Gin House, outro endereço bastante procurado pelos apreciadores de coquetéis na cidade do Porto.

black cask drink
Black Cask: um dos coquetéis mais celebrados no bar da Cidade do Porto

Royal Cocktail Club
Rua da Fábrica nº 105 4050-247 | Porto

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