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Dia Nacional da Cachaça: uma homenagem à identidade brasileira

História

⍟ Aguardente de cana tipicamente brasileira surgiu no período colonial, era servida aos escravos, contrabandeada e motivou um conflito com a Coroa Portuguesa. Conheça detalhes da trajetória da bebida homenageada neste 13 de setembro

Publicado em 13 de setembro, às 10h.

Pinga, caninha, branquinha, cachaça. Não importa o nome que lhe é dada nos quatro cantos do país, fato é que a tal água que o passarinho não bebe tem o carinho especial dos brasileiros. Se hoje podemos beber uma boa caipirinha em qualquer lugar do mundo, isto se deve à popularidade da cachaça. Atualmente, a produção é estimada em quase um bilhão de litros por ano, segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), e suas exportações aumentam gradualmente. É à sua história que brindamos neste dia 13 de setembro.

Cachaça São Francisco, envelhecida em barris de carvalho.

Até ganhar lugar de destaque na coquetelaria, a bebida trilhou um caminho tortuoso. Ela começou a ser produzida em terras brasileiras ainda durante o período colonial. No século XVII, os holandeses colonizavam o Nordeste e nela cultivavam o principal produto de exportação do país: a cana-de-açúcar.

Os engenhos comandados por famílias portuguesas também se espalhavam pelo Sudeste, onde a aguardente era preparada com os bagaços de cana fermentados e destilados. Oferecida aos escravos com intuito de dar-lhes mais energia para o trabalho nas fazendas, a cachaça não era consumida pela elite da época, que era muito mais afeita ao vinho.

Tudo isso mudou quando a Coroa Portuguesa determinou que a cachaça não poderia mais ser fabricada e comercializada, em 1659. A ordem era destruir todos os alambiques para alavancar as vendas de outra bebida, a bagaceira. Ela nada mais era do que uma aguardente de vinho importada de Portugal, feita a partir de bagaços de uva.

REVOLTA DA CACHAÇA

A notícia gerou descontentamento entre os produtores da cachaça. Como os holandeses haviam sido expulsos do país apenas alguns anos antes, em 1654, o açúcar brasileiro era desvalorizado na concorrência internacional e, para compensar a queda em seus lucros, muitos senhores de engenho passaram a contrabandear a aguardente para países africanos.

No Rio de Janeiro, não houve proibição, mas uma forte taxação sobre os produtores. Muitos senhores de engenho, liderados por Jerônimo Bezerra, se recusavam a pagar e decidiram contestar as ordens da governança local.

O pintor francês Jean Baptiste Debret retratou o beneficiamento da cana de açúcar nos engenhos durante suas viagens ao Brasil, no ano de 1822.

Em frente à câmara fluminense, eles pediram o fim do imposto ao governador em exercício, Tomé de Sousa Alvarenga e invadiram casas das autoridades locais. Alvarenga acabou cedendo às pressões dos revoltosos e Bezerra tomou o poder. Suas ações violentas de perseguição aos jesuítas e ao ex-governador Salvador de Sá, fizeram com que Sá decidisse invadir o Rio de Janeiro com tropas que depusessem Bezerra e prendessem os revoltosos. Jerônimo Bezerra foi condenado à morte e decapitado.

Finalmente, em 13 de setembro de 1661, a proibição chegou ao fim. O comércio foi normalizado após a Coroa julgar as atitudes de Salvador Sá como abuso de poder. Por isso, neste dia, comemoramos o Dia Nacional da Cachaça. Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados desde 2009 pretende fazer com que a data seja reconhecida oficialmente no país.

DOS BOTECOS AOS BALCÕES INTERNACIONAIS

Caipirinha do Bar Número. Drink é a principal representante da cachaça no exterior

Com o passar dos séculos, é inegável o desenvolvimento da produção da bebida. A produção de cana passou por melhorias, a destilação passou a ser feita de maneira profissional e foram testados novos tipos de envelhecimentos.

A aguardente, então, se consagrou nos botecos e bares brasileiros. Hoje, o conceito de que a cachaça é uma bebida barata e de pouco glamour caiu completamente por terra.

Seu sabor ganhou devotos mundo afora e é exportada e consumida em mais e 60 países, como Alemanha, Estados Unidos, Paraguai, França e Portugal. Embora o volume destinado ao mercado externo ainda seja pouco expressivo, há marcas brasileiras, como a Cachaça Janeiro, por exemplo, fizeram grande investimento para torná-las produtos tipo exportação.

Se a caipirinha foi a principal porta e entrada da cachaça no exterior e, consequentemente, propulsora da venda da bebida, os representantes da coquetelaria brasileira querem dar mais um passo à frente para aumentar as exportações. Desta vez, a aposta é popularizar o Rabo de Galo, outro drink essencialmente brasileiro. O Clube do Barman apresenta ainda outros dois drinks apreciados nos bares e botecos de todo o país e mostra algumas releituras interessantes para serem aplicadas na carta de drinks do seu bar.

Confira as releituras de drinks clássicos de Boteco com cachaça que o Clube do Barman preparou para a data:

Veja também:

Rabo de Galo: clássico brasileiro em busca de reconhecimento internacional

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