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Como fazer drinks de Halloween sem exagerar na dose

Educacional
Drink Bloody Mary para o Halloween

⍟ Halloween se tornou praticamente um sinônimo de absurdos dentro do copo. Nesta matéria, o Clube do Barman mostra que a data não precisa ser marcada por um show de horrores etílicos.

Publicado em 30 de outubro de 2018, às 17h30.

Amanhã é Halloween e você já deve estar preparado para pelo menos dois ou três dias de festas em comemoração à data no bar. É possível que você também já deva ter separado diversas garrafas de grenadine para fazer drinks sangrentos, olhos de plástico para colocar dentro dos cocktails e outras guarnições inspiradas no mundo do terror. Pare e pense: será que esta é a melhor forma de levar o Halloween para dentro do copo?

Isto é o que o Clube do Barman pretende responder nesta matéria, trazendo à tona as verdadeiras origens do Halloween e questionando se muito do que é feito nos bares nesta época do ano é realmente necessário, do ponto de vista de saúde, sustentabilidade e alta coquetelaria.

É possível traduzir o espírito do Halloween para a coquetelaria? Afirmamos categoricamente que SIM. Mas não sem dar munição para que você, bartender, compreenda bem o que é comemorado neste dia. Feito isso, passaremos ao assunto dos drinks.

ORIGENS DA COMEMORAÇÃO

A palavra inglesa Halloween se trata da aglutinação do termo “All Hallows Eve“, que significa “Véspera de todos os santos”. A comemoração era, em sua origem, uma preparação para a festa que acontece no dia seguinte, 1° de novembro, celebrada em grande parte das denominações cristãs. O Dia de Todos os Santos é uma lembrança de todos os cristãos que morreram na amizade com Deus, chamados de santos. De acordo com o ritual cristão, a Véspera é uma vigília, ou seja, um momento de oração em preparação ao que se celebra no dia seguinte.

A Véspera de todos os Santos, o Dia de Todos os Santos e o Dia de Todos os fiéis Defuntos formam um tríduo, isto é, um conjunto de três dias celebrados de forma contínua, conhecida nos países anglófonos com ‘Allhallowtide‘, algo como ‘tempo de todos os santificados’.

Entre os séculos XIV e XV, foi tornando-se um costume mais ou menos disseminado adornar as cidades na véspera de todos os Santos com símbolos que recordavam a morte, para alertar os cristãos sobre a iminência da morte, numa reflexão chamada ‘memento mori’ (lembra-te que morrerás), a fim de que fosse despertado nas pessoas o desejo de preparar-se bem para a morte a partir do exame de seus atos.

FIGURAS E REPRESENTAÇÃO

Danse Macabre
The Dance of Death (1493), pintura do alemão Michael Wolgemut, do Nuremberg Chronicle of Hartmann Schedel (Imagem: Wikimedia Commons)

Para mostrar que a morte vem para todos, indistintamente, uma das representações mais propagadas foi a da Dança Macabra (Danse Macabre), que ilustrava ricos e pobres, bons e maus, pessoas de diferentes classes e status sociais conduzidos por figuras cadavéricas e esqueletos em uma ciranda rumo ao túmulo.

Assim entrou a figura da caveira na celebração e, posteriormente, outros elementos alusivos ao pós vida foram sendo inseridos no contexto. Fantasmas e figuras do imaginário coletivo aludindo ao além tomaram espaço e começaram a ser, de das mais diferentes formas, representados durante a noite da vigília de todos os santos.

Outras figuras são praticamente indissociáveis da data: esculturas de crânios feitos em abóboras que abrigavam velas em seu interior, serviam como lâmpadas que ao longe reluziam através da noite; os morcegos, árvores secas e lápides, elementos icônicos dos cemitérios também se agregaram ao repertório estético.

MUDANÇA DE RUMO

Pouco a pouco o caráter religioso da festa foi-se dissolvendo, até que, atualmente, o Halloween passou a ser uma festa da celebração dos símbolos em si mesmos, ficando relegado quase que ao esquecimento completo o caráter religioso da festa.

Nesta última fase, que dura até os dias de hoje, outras personagens fantásticas se juntaram à celebração, como fadas, duendes e bruxas. Estes últimos elementos são herdados das origens célticas do povo anglo-saxão, colonizadores da América do Norte e são tão antigos quanto as tradições cristãs.

Na Irlanda e Escócia, por exemplo, a passagem do dia 31 de outubro para 1º de novembro dava lugar a uma festa pagã chamada Samhein. Como os celtas admitiam a existência de somente duas estações por ano, esta festa celebrava o fim do verão, agradecendo a fartura e colheita, ao mesmo tempo em que pedia por clemência para o inverno que começava.

Pintura de Daniel Maclise retratando as tradições do samhein irlandês
Tradições e jogos do Samhein irlandês em pintura de Daniel Maclise (1883) (Imagem: Wikimedia Commons)

Acreditava-se que durante o Samhein a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos se estreitava, facilitava o contato com espíritos e fadas. As famílias faziam oferendas de comidas e bebidas a estes seres, para garantir que sobreviveriam a mais um período gélido. Neste dia, segundo o folclore celta, os mortos também voltavam à terra em busca de hospitalidade. Velas eram acesas e rezas eram feitas em sua homenagem. Em seguida, os celtas festejavam e conduziam rituais em volta de fogueiras. Brincadeiras e adivinhações também faziam parte das tradições do Samhein.

Há indícios de que as tradições célticas e das festas católicas tenham se condensado, na Europa e nos Estados Unidos, para dar origem ao Halloween como conhecemos hoje.

POR ONDE SEGUIR?

Agora já sabemos que o ‘coração’ desta data não tem nada a ver com serial killers, Jack Estripador, Múmia ou Conde Drácula. Desta forma, elementos alusivos neste sentido podem esperar até a próxima sexta-feira 13, certo?

Mas se não é bacana usar sangue de xarope escorrendo pelo copo e dentaduras de goma, pra onde vamos correr?

Aqui entra a arte da coisa, que deve caminhar em dois sentidos simultaneamente. O primeiro, na direção da história, para buscar inspiração no passado. O segundo, na direção da criatividade, para inventar coisas novas sem fugir do contexto.

Usar guarnições comestíveis evita que acidentes como este aconteçam

ELEMENTOS NÃO ALIMENTÍCIOS

A empolgação com o apelo visual da data muitas vezes nos impele a corrermos para a primeira loja de descartáveis procurando todo o tipo de traquitana de plástico para colocar dentro do copo. Aqui fica o nosso alerta: dentro do copo só coloque o que pode ser ingerido. Afinal, você não quer matar seu cliente asfixiado com um morceguinho de borracha atravessado na garganta, certo?

Busque utilizar recursos alimentícios sempre que desejar criar algum elemento que faça referência ao Halloween. Pode ser mais difícil fazer um olho com uma mini cebola do que colocar um olho de borracha dentro do copo, mas temos certeza que será muito mais genuíno.

A grande referência à data pode estar na história do drink e, muitas vezes, nem precisa estar tão explícito visualmente como quando tampamos a boca do copo com um chapeuzinho de bruxa de plástico.

CORANTES ARTIFICIAIS

Você pode achar uma ótima ideia tingir um drink de preto, mas é preciso tomar cuidado para não prejudicar a saúde do cliente por causa de corantes ou mesmo escolher algum que manche a boca e os dentes de quem o consome.

Se a ideia é dar uma cor diferente à bebida, é possível encontrar soluções naturais e comestíveis para incrementar o visual da receita. Tintura de lula é uma solução bem melhor do que aquela bisnaguinha de sabe-Deus-o-que vendida na loja de descartáveis. Carvão ativado é outra opção para colorir a bebida com a cor preta, muito difundida na gastronomia.

Há, também, uma série de xaropes que podem dar conta do serviço de colorir os drinks servidos no seu bar. Os artesanais são uma boa opção para quem tem maior controle dos processos de produção de insumos, mais ingredientes à disposição do bar e mais tempo de pré-preparo.

RECEITAS DE XAROPES

Os xaropes industrializados também podem ser de grande ajuda pois, além se manterem conservados por mais tempo, possuem cores mais vibrantes e sabores concentrados.

Outra dica que nunca falha é: coloque no copo apenas o que parece bebida. Corantes com cor de desinfetante, muito azuis, verdes ou rosa shocking não aparentam ser tão apetitosas quanto as cores que normalmente encontramos nos alimentos e bebidas.

CRIATIVIDADE

Há diversas maneiras de ser criativo além de acrescentar aranhas, morcegos e olhos dentro de sua taça cocktail. A apresentação, nome e composição também podem conquistar os clientes, bem como uma boa história. Mais uma vez, o storytelling prova que é essencial atrás do balcão.

Invista em drinks compartilhados, com elementos visuais que lembrem uma poção; copos personalizados especialmente para a data; nomes que remetam à tradições da data ou alguma história famosa de terror; invente uma lenda para um cocktail autoral. Envolva os clientes nas histórias e bebidas do bar, mesmo que por uma noite. Seu trabalho fará com que voltem no ano que vem ou que tenham interesse em conhecer a casa sem toda a atmosfera da festa.

Reforçando: sempre que possível, evite utilizar elementos que imitem de forma muito fiel pedaços de membros, órgãos, sangue ou outros fluídos e membros do corpo humano. Geralmente repelimos o consumo de alimentos com aparência crua, quem dirá com algo com forma humana. Ser um pouco menos ousado nesse sentido pode aumentar as vendas.

CASO DE SUCESSO: BLOODY MARY

Você deve estar se perguntando se o drink conhecido pela mistura de vodka com suco de tomate tem raízes em algum folclore ou história de terror. A resposta é não. De toda a forma, ele contém uma série de atributos que o aproximam da temática do Halloween e que podem ajudar a vendê-lo durante a data. Tudo isso sem adicionar elementos plásticos ao copo, corantes excessivos ou decorações extravagantes.

Como toda boa lenda ou conto assustador, este não é um drink recém-criado. Ele está se aproximando dos 90 anos de idade e muitos lutam por sua autoria. A história mais aceita é que a receita foi criada pelo bartender Pete Petiot, do Harry’s New York Bar, em Paris. No início dos anos 30, a cidade-luz era refúgio para artistas e estrangeiros, como era o caso de centenas de russos que chegavam à capital após a Revolução Russa.

Tradicional bar parisiense, o Harry’s New York Bar foi o local de criação do Bloody Mary.

Eles traziam consigo a vodka, seu spirit nacional, e Pete começou a testá-la com diversos ingredientes. Para ele, a vodka era insípida e precisava de algo a mais que conferisse algum sabor. Após inúmeras tentativas, experimentou combinar a bebida com o suco de tomate enlatado vindo dos Estados Unidos. Na tentativa de equilibrar os sabores, adicionou alguns temperos e voilà! Nascia o precursor do drink que servimos hoje.

Outras histórias apontam que o cocktail teria recebido este nome em homenagem a um bar de pouco prestígio em Nova York, chamado pejorativamente de Bucket Of Blood (balde de sangue, em português). Conta-se que ocorriam tantas brigas no local que o sangue era recolhido aos baldes no dia seguinte. Se esta história não fosse sangrenta por si só, há quem também atribuísse o nome da bebida à Rainha Mary I da Inglaterra, devido ao seu reinado violento contra os protestantes.

Permeado por uma mistura de lendas e fatos históricos, o drink ganha relevância durante a data graças a seu nome assustador, cor incomum e guarnições coloridas. Um cocktail atraente para ser servido na data, mas sem extravagâncias. Como deve ser.

Absolut Bloody Mary

INGREDIENTES

45 ml de Absolut Vodka
120 ml de suco de tomate
7,5 ml de suco de limão siciliano
7,5 ml de molho Worcestershire
4 dashes de molho de pimenta
1 pitada de pimenta preta moída
1 pitada de sal de alho
1 fatia de limão siciliano
1 aipo

MODO DE PREPARO

Adicione todos os ingredientes a uma coqueteleira com gelo e bata por dez segundos. Transfira a bebida para um copo alto com gelo e guarneça com o aipo e o o limão.

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