Masterclass de Plymouth Gin com Daniel Estremadoyro aborda criatividade no bar

⍟ Bartenders e representantes da marca trocaram experiências e participaram de degustação guiada pela linha do tempo do Dry Martini

Publicado em 14 de julho de 2017, às 15h.

É quase impossível falar sobre a história do Plymouth Gin sem mencionar a linhagem do intocável Dry Martini. As duas se entrelaçam, complementam e formam uma receita de absoluta elegância. Por esse motivo, a trajetória do drink icônico foi referência na masterclass sobre a marca, realizada na última terça-feira (11), em São Paulo. O evento foi transmitido ao vivo na página do Clube do Barman pelo Facebook e contou com a presença do bartender argentino Daniel Estremadoyro.

Um dos representantes do novo gin no país, Bruno Siqueira, falou no início do encontro sobre a origem da bebida. Criada em 1793, ela é fabricada até hoje na destilaria de Black Friars, na cidade portuária de Plymouth, Inglaterra. Trata-se destilaria de gin mais antiga ainda em atividade no mundo. Também lembrou que, devido sua proximidade ao mar, Plymouth gin era muito consumido pelos marinheiros. Assim, se consagrou como o favorito da marinha inglesa.

O sabor equilibrado de Plymouth também esteve em pauta. Aos presentes, Siqueira afirmou que isso é possível graças à harmonização de seus sete botânicos e à água pura da represa de Dartmouth com que é fabricada. Zimbro, semente de coentro, cardamomo verde, pele de laranja, pele de limão siciliano, raiz de angélica e raiz de lírio se juntam à receita para criar um sabor único em um destilado que está entre os pioneiros na coquetelaria. E ideal para preparar drinks com sabores mais intensos e refinados.

Siqueira afirma que a qualidade da bebida era notável a ponto de ser a mais citada no The Savoy Cocktail Book, uma das grandes fontes para bartenders. Mas não só nele. “No livro Stuart’s Fancy Drinks, de 1904, por exemplo, a receita do Marguerite já mencionava o Plymouth como seu principal ingrediente”, completou.

DEGUSTAÇÃO: PLYMOUTH E LINHAGEM DO DRY MARTINI

Para que os presentes pudessem conhecer o sabor encorpado de Plymouth e experimentar alguns drinks que antecederam a criação do primeiro Dry Martini, Rafael Mariachi, mixologista da Pernod Ricard Brasil, comandou uma degustação guiada.

Em uma linha do tempo foram dispostos quatro coquetéis escolhidos pelo mixologista como os que melhor contavam a história do drink. O Marguerite, criado por Harry Johnson em meados de 1882, combina o gin com dashes de bitter de laranja e licor de anis. Já o Olivette, surgido em 1897 no Hotel Hoffman House, aparece em diversos livros de coquetelaria com receitas diferentes.

Plymouth Gin - The Savoy Cocktail Book
Plymouth foi o gin mais citado no The Savoy Cocktail Book

Por último, os participantes experimentaram dois drinks que remetiam ao Dry Martini, de 1904 e 1911. O primeiro foi mencionado no American Bar Book e tinha proporção igual de gin e vermute, com três dashes de angostura bitters. Já o segundo, mais popular, em proporção dois para um, continha apenas um dash de bitter de laranja.

O mixologista e os bartenders falaram sobre as diferentes teorias que levaram à criação do Dry Martini, o uso de vermutes e outras receitas que antecederam este clássico. Por fim, foram servidos outros dois drinks em que o protagonismo era todo do gin inglês. Mayflower, criado por Mariachi em referência ao navio que levou os primeiros imigrantes ingleses aos Estados Unidos; e o Gimlet, que acendeu um debate sobre as proporções entre gin e cordial de limão na receita.

A questão foi comentada por Mariachi: a proporção de uma medida para cada um dos ingredientes vem da época do Plymouth na versão Navy Strengh (graduação alcoólica de 57%, bebida pelos marinheiros). “Na época, as pessoas não estavam preparadas para um consumo mais responsável. As receitas meio a meio (gin/cordial de limão) eram feitas com Navy Strengh. Hoje reduzimos para quase três medidas de Plymouth para uma de de cordial. Ele é mais aromático, mas pode ser substituído por suco fresco de limão”, disse.

COQUETELARIA CRIATIVA

Daniel Estremadoyro, um dos bartenders sul-americanos mais conhecidos do mundo, falou aos barmen sobre um dos maiores desafios encontrados atrás do balcão: a busca pela criatividade. Em um mercado onde muitas vezes cabe apenas ao head-bartender a tarefa de criar cartas e desenvolver coquetéis, desenvolver um método e estabelecer um processo criativo em grupo torna-se fundamental.

Assim, contou brevemente sobre sua carreira profissional e defendeu a união dos bartenders mais jovens, com mais ideias e referências frescas e antenadas, a estarem no centro deste processo.

Segundo ele, existem diversos caminhos para obter novas receitas. O profissional pode partir de um sabor ou história, real ou fictícia, por exemplo. E a partir daí, buscar referências, sabores, equilíbrio, conexões emocionais e argumentos que possam concretizá-lo. Nesse sentido, reforçou que o o storytelling tem se destacado no desenvolvimento de novos coquetéis. “É preciso vender a história do drink e esquecer o que está realmente dentro do copo. Não se pode ter medo”, aconselhou.

Estremadoyro ainda acrescentou que existe um limite para explorar a própria criatividade: o incômodo do cliente. Assim como em qualquer relacionamento humano, um drink não pode ultrapassar limites. Não pode ir além do que a pessoa se dispõe a experimentar. “É preciso manter o cliente na zona de conforto dele, seja ela cultural ou fisiológica, para não constrangê-lo”.

Daniel Estremadoyro
Estremadoyro explicou os principais conceitos para o exercício da criatividade pelos bartenders
coqueteleira p

CLUBE DO BARMAN

Plataforma educacional sobre coquetelaria da Pernod Ricard Brasil. Aqui você encontra tudo o que precisa saber para ser tornar um bom profissional. Coquetelaria de qualidade, onde o que mais importa é a venda de produtos de alto padrão ao consumidor final e a opinião que vale é a do Mercado.

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