Em que ano você nasceu?






O que você fez, bartender?

Hard Shake

⍟ Chega ao fim mais um ano. Cada vez menos a provocação da música costumeira se faz presente, mas na cabeça de nossa geração ainda martela a pergunta e o lembrete: “…o que você fez? O ano termina e nasce outra vez”.

O fim de um ciclo. É certo que o tempo é próprio do ser humano. Platão dizia que ele é a imagem em movimento de uma eternidade que não se movimenta. 365 dias, 52 semanas, 12 meses. E fim. O velho dá lugar ao novo nesta combinação humana. O eterno ri da nossa corrida maluca  para colocar tudo no lugar entre um verão e outro. Os anos passam, um depois do outro, sem parar, como uma máquina que não desliga nunca.

Nós, – que passamos o ano atrás do balcão, tantas vezes deixando de lado nossas comemorações, reuniões de família e momentos com as pessoas que amamos para estarmos junto aos clientes, compartilhando com essa outra família do bar as alegrias, tristezas e experiências únicas – como temos aproveitado esse tempo? E, mais do que aquele monte de horas que passamos com a coqueteleira nas mãos, como temos aproveitado nossos dias FORA do bar?

Vemos companheiros de profissão que são engolidos pela rotina, máquina que esmaga sonhos, tira esperanças, e apaga planos. A vida do bar não é para todos. E não estamos falando sobre estar sentado à frente de uma barra para aproveitar um bom cocktail. Falamos de nós mesmos, que estamos do outro lado da história. Faça chuva ou sol, dentro ou fora de nós, atenção e sorriso no rosto estão lá. É até uma maneira de deixar nossos problemas pessoais de lado. Cada drink que sai perfeito é uma pequena realização pessoal. Mas não vamos nos enganar: nossa felicidade vai além dos balcões. A verdade nos espera fora do mundo de sonhos que criamos como mestres atrás do balcão.

Nos últimos anos vimos os efeitos causados pela rotina a longo prazo. Muitos dos nossos, que estavam ao nosso lado brilhando como faróis, apontando os rumos da coquetelaria, acabaram se consumindo como velas, derretendo a si próprios para sustentar a chama da profissão. ‘Burnout’, como dizem. Queremos sim, ver uma coquetelaria de alto nível Brasil adentro como temos visto mundo afora. Mas não às custas da felicidade da pessoa que mais importa: você.

Não vamos cair no engano de pensar que é assim mesmo. Não fiquemos nos escondendo atrás das garrafas, esperando o mau tempo passar. Se você não fizer nada a respeito, o chuvisco vira tempestade e a enxurrada arrasta. Não é ‘assim mesmo’, porque fazer as pessoas felizes depende da sua felicidade em primeiro lugar. O balcão não é um palco e o bartender não é um ator. Cada gota dentro do copo carrega toda alegria, tristeza e expectativa de quem segura a garrafa. É de sabedoria popular que a boleira de mau humor faz o bolo minguar. Assim é na coquetelaria. Não é tão aparente quanto um bolo solado, mas é assim.

O que você fez, bartender? Você viveu intensamente? Dentro e fora do bar? Está aí na cara mais um show do Roberto Carlos na TV, mais uma queima de fogos, mais uma vez aquele sentimento de saudade. Tempo que não volta! Tantos queridos que já não estão mais por perto, rostos novos, sorrisos desconhecidos e aquele frio na barriga pelo que se aproxima. O que nos espera?

Fica o convite para encarar o novo de cabeça erguida, lutando contra a rotina para não ser engolido. Ainda temos algumas horas para fazermos uma reflexão sobre a vida. Para além da barra. Vamos começar juntos um novo ano com plenitude, para que a vida e a felicidade transbordem no copo, em nós e no mundo. Um brinde a você que chegou até aqui e um brinde àqueles que não puderam chegar. Nos vemos em 2019, que virá, se você quiser, com saúde, paz e cheio de realizações.

Continue acompanhando o Clube do Barman, que vem com tudo no próximo ano, cheio de novidades, para oferecer a você o melhor conteúdo sobre coquetelaria. Cheers!

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