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Brasileiros viajam a Havana para XXII Campeonato Pan-Americano de Coquetelaria

Competições
Delegação brasileira de bartenders no XXII Campeonato Pan-Americano de Coquetelaria

⍟ Evento da International Bartenders Association (IBA) envolveu delegação brasileira em quatro competições, experiências com o destilado local e quebra de um recorde mundial na coquetelaria

Publicada em 18 de setembro de 2018, às 18 horas.

Desembarcar em Cuba, para muitos, é como voltar no tempo. Carros coloridos e elegantes dos anos 50, ruas largas, prédios antigos, ruas de pedra e uma tecnologia ainda incipiente, que retira das mãos do povo os smartphones que tanto desviam nossa atenção do que realmente importa. As ruas, praias, povo, a música, tudo cria uma atmosfera de nostalgia e apreço por outrora.

É seguro dizer que este mesmo sentimento envolveu a equipe de cinco bartenders brasileiros que embarcou rumo a Havana para participar das competições do XXII Campeonato Panamericano de Coctelería, realizado pela assembleia pan-americana da International Bartenders Association (IBA). Entre 25 e 31 de agosto, Juan Jose Perea, Jairo Gama, Carlos Eduardo Mendes Lemos, David Lopes e Felipe Bueno viajaram pelas ruas da velha cidade para representar o país em quatro competições com cantineros de 18 países.

Bartender Juan Jose Pereira e seu cocktail Habanera
Presidente da delegação brasileira, Juan Jose Perea e seu cocktail Havanera (Foto: Cedida por Juan Jose Perea)

Foram elas: Copa Panamericana, Copa Amistad, Competencia Bartender Challenger e Copa Presidentes. Nesta última, o Brasil conseguiu sua melhor classificação, com o terceiro lugar para o presidente da delegação brasileira, Juan Jose Perea e seu drink Havanera. A bebida, segundo ele, foi uma homenagem à cidade que sediava a competição e também ao atual presidente da Associação Brasileira de Bartenders (ABB), Mestre Chiquinho. A primeira posição ficou o presidente cubano, e a segunda, com o participante uruguaio.

Copa Panamericana tinha, como objetivo, a execução de um cocktail autoral, com técnicas e movimentos precisos, sem a explicação sobre o drink e o mise en scene usual das competições de coquetelaria. Nela, o pódio se deu na seguinte ordem: Uruguai, Equador e Argentina. 

Jairo Gama prepara o cocktail Cuba Caju, com o Rum Havana Club Añejo 7 Años (Foto: cedida por Jairo Gama)

Jairo Gama participou da etapa com o cocktail autoral Cuba Caju, uma releitura do clássico paulistano Caju Amigo, feito com Havana Club Añejo 7 Años.

Na Copa Amistad, os argentinos levaram o primeiro e terceiro lugares, deixando Cuba com a segunda posição.

A Competencia Bartender Challenger desafiava não a criatividade dos bartenders, mas sua destreza atrás da barra. Os participantes, divididos em grupos, deveriam preparar uma cerveja, cortar a ponta de um charuto e, por último, preparar cinco drinks clássicos: Old Fashioned, Margarita, Dry Martini, Rob Roy e Bellini. Venceria aquele que cumprisse as tarefas com menos erros no menor tempo possível. O primeiro lugar foi para o Panamá, o segundo para Cuba, e o terceiro para o cantinero da República Dominicana.

“Este Pan-Americano foi, sem dúvida, um espetáculo da Associação Cubana de Cantineros (ACC)”, afirmou o vice-presidente do conselho da ABB e presidente da delegação. “Os brasileiros apresentaram técnicas muito boas”.

A classificação dos brasileiros foi a seguinte:

  • Copa Presidente: Juan Jose Perea (3º lugar)
  • Copa Panamericana Clássica: Jairo Gama (8º lugar)
  • Copa Panamericana Flair: Felipe Bueno (6º lugar)
  • Copa Amistad: David Lopez (8º lugar) e Eduardo Lemos (10º lugar)

EXPERIÊNCIA CUBANA

Além das competições, o campeonato realizava, concomitantemente, masterclasses, palestras e outras oficinas sobre tendências no mundo do bar.  Uma delas tratou sobre o Swizzle, utensílio de bar muito utilizado no Caribe e que tem se popularizado mundo afora. Semelhante a uma colher bailarina convencional, ele possui pequenas pás em suas extremidades e ajuda misturar drinks com gelo britado. 

Para Jairo Gama, a vivência do campeonato como um todo foi especial. “Pudemos trocar informações com bartenders não só da América Latina, mas também de Portugal e Espanha, além de conhecermos fábricas e maestros de rum”, disse. Além disso, frequentar alguns templos da coquetelaria mundial também fez parte do roteiro da delegação.

Na Bodeguita Del Medio, experimentaram o verdadeiro drink cubano – que tem sabor e aspecto diferente do preparado em outros cantos do planeta. “O nosso é mais bonito”, brinca. “Eu ouso dizer que o deles é mais gostoso, não tanto pela qualidade do rum utilizado, mas pela água com gás cubana, que é um pouco mais adocicada que a brasileira”, analisa Jairo Gama.

Esquina em Havana com a placa do bar Floridita
Famosa esquina onde está localizado o bar Floridita, em Havana Vieja (Foto: Jairo Gama)

O berço do Daiquiri, Floridita, também foi uma parada obrigatória durante a viagem. O que chamou atenção dos bartenders foi o tipo do cocktail servido na famosa casa frequentada pelo escritor Ernest Hemingway e outras celebridades. Isso porque, ao invés da bebida original, o Daiquiri é servido em sua versão frozen, feita em uma escala de produção com dezenas de liquidificadores dispostos no balcão do bar.

“Lá você não vê os bartenders fazendo qualquer outro drink“, lembra. Segundo ele, você até pode pedir outro cocktail, como um Negroni, em bares cubanos, mas nem todos vão poder servi-lo para você.

Outro aspecto curioso da coquetelaria local é a ausência de uma grande variedade de frutas. “Isso me fez pensar em como, no Brasil, temos de tudo para preparação de drinks“, ressalta. Na ilha, os insumos são caros e a população não desfruta de alto poder aquisitivo, o que afasta os cubanos dos principais bares turísticos. Uma boa bebida pode custar cerca de 6 cucs, algo em torno de R$ 26,00.

QUEBRA DE RECORDE: CUBA LIBRE

Uma das principais atrações da competição, que se deu no interior do Hotel Tryp Habana Libre, foi a quebra de um novo recorde mundial na coquetelaria. Após conseguirem o registro no Guinness Book pelo maior Daiquiri e Mojito, este ano foi a vez da maior Cuba Libre do mundo ser preparada em frente aos olhos atentos dos bartenders participantes.  Com 108 garrafas de Havana Club 3 Años e mais de 200 litros do refrigerante cubano TuKola, foi necessário um copo de cerca de 500 litros para preparar a bebida, segundo a agência EFE.

“Eles têm ideias bem legais para chamar atenção do público”, afirmou Jairo Gama. O saguão do hotel foi o local escolhido para o preparo da bebida, que durou mais de uma hora e contou com a ajuda dos barmen e os próprios funcionários do local.

Em entrevista à EFE, o vice-presidente da Asociación de Cantineros de Cuba (ACC), Sergio Serrano, disse que foi um prazer e uma honra preparar o grande cocktail, que também é um dos clássicos cubanos mais consumidos no mundo, ao lado do Mojito e do Daiquiri.

“É uma festa da Cuba Libre entre todos os bartenders de Cuba e de todo mundo para nos atualizarmos das novas tendências e sermos mais profissionais”, declarou Serrano sobre a importância do campeonato pan-americano.

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